Uma de nós tem três filhos e dois deles são esquisitos com a comida. Quando o jantar encolhe, a pergunta útil é que alimento saiu mesmo do prato, não se há de comprar uma vitamina.
A carne é das primeiras a ir embora. Também é vários nutrientes num bocado, e não desaparecem todos juntos.
O essencial
- A vitamina B12 existe de forma natural nos alimentos de origem animal. Ovos e lacticínios podem cobri-la. Um prato sem nenhum destes precisa de uma fonte planeada.
- O ferro das plantas absorve-se pior do que o ferro da carne. Isso resolve-se na cozinha, não num slogan.
- O nosso produto não contém ferro. Contém B12. São duas frases diferentes.
- Uma criança que ainda come ovos, iogurte, feijão e um pouco de fruta à refeição não está na mesma situação do que uma criança que não come nada disso.
A carne é vários trabalhos, não um
Tire o frango do prato e não criou um problema só. Desfez um pacote: B12, o ferro que o corpo aproveita melhor, algum zinco, alguma proteína.
A B12 é a chata. Quase nenhum alimento vegetal dá uma fonte em que se possa contar, a não ser que esteja fortificado. A EFSA fixa uma ingestão adequada de 4 µg por dia nos adultos, com valores mais baixos na infância que mesmo assim têm de vir de algum lado. Ovos, leite, iogurte e queijo são caminhos vulgares. Uma casa que largou todos estes, e não só a carne, tem alguma coisa para planear.
O ferro é outro trabalho. Feijão, folhas escuras, frutos secos e cereais fortificados trazem-no. O corpo aproveita menos deste do que o da carne, e a vitamina C na mesma refeição ajuda. Pimento, tomate ou fruta com o feijão é um gesto real. Comprar um multinutriente e assumir que o ferro ficou resolvido não é.
Já escrevemos o artigo do ferro. A frase que importa aqui é a mesma: não vendemos ferro. Se a inquietação é o ferro, este produto é o produto errado.
O que o resto da semana ainda pode fazer
Zinco, iodo e vitamina D aparecem muitas vezes na mesma frase que a carne. Não pertencem todos lá.
O iodo chega com leite, peixe do mar, e sal iodado onde o país o usa. Em Portugal, o peixe e os lacticínios fazem mais por este nutriente do que o bife.
A vitamina D é sobretudo um problema de latitude e de vida em interior, não de carne. A pele faz muito pouca no inverno europeu, coma-se o que se comer. A orientação da DGS sobre vitamina D na infância é sobre sol e estação, não sobre almoço.
O zinco está na carne, e também em leguminosas, frutos secos, sementes e lacticínios. Uma semana com plantas e lacticínios não está vazia dele.
A lista curta é mesmo curta. B12 se os alimentos de origem animal saíram. Ferro como pergunta de comida e de médico. Vitamina D como dossier próprio.
Uma fase não é um regime
Uma criança que recusa carne de vaca durante um mês e continua a comer frango, ovos e iogurte não está vegetariana. Está seletiva em relação a um alimento. É comum, muitas vezes passa, e não pede uma estratégia de suplementos.
Uma criança que há meses não come carne, peixe, ovos nem lacticínios está noutra categoria. Isso vê-se sem laboratório. É também o ponto em que um médico ou um nutricionista servem mais do que um artigo.
Não vamos deixar aqui uma lista para ir à internet à meia-noite. Uma semana de comida diz mais, e o médico faz o resto.
O que vendemos, e o que não vendemos
O Pocket Kids, Teens e Adults levam B12 a uma percentagem alta do VRN de adulto. É uma quantidade real. É também o nutriente de que podemos falar sem fingir.
Não levam ferro. Se chegou aqui porque alguém disse que crianças vegetarianas devem tomar "uma vitamina com ferro", leia o rótulo. A nossa não é essa vitamina.
Um multinutriente diário pode sentar-se ao lado de um regime que largou a carne e manteve ovos e lacticínios. Não pode substituir uma conversa sobre ferro, e não vamos escrever como se pudesse.
O que faríamos esta semana
- Apontar uma semana de comida, à medida que acontece. Ver se ovos, lacticínios ou peixe ainda estão lá.
- Se estão, a B12 pode já estar coberta. Leia também o rótulo de cereais ou bebidas vegetais fortificadas, para não contar duas vezes nem contar zero.
- Juntar um alimento com vitamina C ao feijão, se a carne saiu e o feijão entrou.
- Deixar a vitamina D à parte, sobretudo no inverno.
- Se saíram todos os alimentos de origem animal, ou se simplesmente está inquieta, isso é consulta. Leve a semana de comida. Os dez minutos rendem muito mais.
Fontes
- EFSA, valores de referência para a vitamina B12, 2015
- EFSA, valores de referência para o ferro, 2015
- DGS
- Registo da UE de alegações nutricionais e de saúde
Escrito por Lina e Stanislava, fundadoras da MyDailyPocket. Isto serve para ser útil, não substitui o médico ou o pediatra. Nenhum suplemento substitui uma alimentação variada e equilibrada. Fique dentro da dose indicada na embalagem.