O armário já tem um frasco. A internet quer que acrescente óleo de peixe, magnésio, e qualquer coisa "para os 40". Nós já estivemos nesse corredor.
A pergunta honesta é se são trabalhos diferentes, ou o mesmo trabalho vendido três vezes.
O essencial
- Na Europa um suplemento alimentar é um alimento, vendido como medida, cápsula ou gota, destinado a sentar-se ao lado do jantar. Não é um medicamento.
- As quantidades de dois frascos somam-se. Dois produtos a 80% VRN da mesma vitamina são 160% se tomar ambos.
- Ómega 3, ferro e um multinutriente largo são trabalhos diferentes. Dois multinutrientes largos são, em regra, o mesmo trabalho duas vezes.
- Não vendemos ómega 3 nem ferro. Se veio por isso, procure noutro sítio em vez de nos empilhar em cima.
São alimentos, com uma medida
A Europa tem uma regra para isto. Fomos lê-la porque o corredor faz parecer mais complicado do que é. Um suplemento alimentar é comida, numa dose que se conta, cujo trabalho é acrescentar alguma coisa ao que já se come.
Isso dá três coisas, mais úteis do que o marketing.
São alimentos. Podem trazer as alegações de saúde que a Europa já aceitou, nessas palavras exactas. Não podem vender-se como um medicamento.
Sentam-se ao lado do jantar. O trabalho está no nome: complementam. Uma embalagem que fale como se o jantar fosse facultativo está a discutir consigo própria.
A dose é o produto. Um pó que se mede, uma cápsula que se engole, um líquido que se conta. A quantidade diária no rótulo é o número que interessa.
Em Portugal as autoridades alimentares nacionais olham por isto, com as mesmas regras europeias.
Porque dois frascos podem ser demais da mesma coisa
A percentagem numa embalagem é da dose diária daquela embalagem. Não sabe do outro frasco no armário.
Se um multinutriente já dá 100% VRN de B12, uma segunda cápsula "de energia" com mais B12 não é um segundo benefício. É mais B12. Alguns nutrientes têm um tecto que a EFSA aceita chamar tolerável. Outros perdem-se simplesmente. Em qualquer dos casos, o total só se vê se alguém somar os rótulos.
O magnésio é o dobro mais frequente. Aparece nos multinutrientes numa quantidade modesta, e outra vez como produto isolado à noite. Isso pode ser de propósito: a nossa própria dose de magnésio é um complemento, e já dissemos que um produto só de magnésio faz mais sentido se quiser a dose cheia. Pode também ser acidental. Duas quantidades modestas viram uma grande, e ninguém tem a soma.
Ómega 3, ferro, e um segundo multinutriente
As pessoas procuram um multinutriente mais ómega 3 mais magnésio como se fosse um conjunto padrão.
O ómega 3 é uma gordura de peixe ou de algas. Não está na nossa fórmula. Se o quer, é outra prateleira, e pôr um multinutriente em cima não o cria.
O ferro é um mineral com margem estreita. Não o incluímos. Um segundo produto que o tenha, tomado porque o multinutriente "parecia incompleto", pode ser a decisão certa e pode ser a errada. Isso é conversa com o médico, não um pack.
Um segundo multinutriente é aquele de que a dissuadiríamos. Os nutrientes sobrepõem-se. O % VRN soma-se. Paga duas vezes as mesmas vitaminas B.
O cesto honesto, para a maior parte das casas, é um produto largo que coincida com a idade na embalagem, mais um segundo produto específico só se souber nomear o trabalho que faz. "Estava em promoção" não é um trabalho.
Preferíamos que comprasse menos
Vendemos um pó diário em três doses. Claro que gostaríamos que fosse esse o do armário.
O limite verdadeiro também é óbvio. Não somos uma estratégia nutricional completa. Não temos ómega 3, nem ferro, nem cálcio. Quem precisa destes continua a precisar. Usar-nos como desculpa para os saltar, ou empilhar-nos com dois multinutrientes "para garantir", são erros pelos quais preferíamos não ser pagas.
Se esta página esvaziar um pouco o armário de alguém, é esse o ponto.
Deite o armário em cima da mesa
- Pôr todos os frascos em cima da mesa. Somar as quantidades diárias de cada nutriente repetido.
- Tirar qualquer segundo multinutriente que duplique o primeiro.
- Manter um isolado só se conseguir dizer, numa frase, a que nutriente se destina.
- Ler a linha da idade. Uma fórmula de criança e uma de adulto na mesma pessoa é a mesma duplicação com pior conta.
- Se não souber nomear o trabalho, não precisa do frasco.
Fontes
- Diretiva 2002/46/CE relativa aos suplementos alimentares
- Regulamento (UE) n.º 1169/2011, anexo XIII (VRN)
- EFSA, níveis máximos de ingestão
- Registo da UE de alegações nutricionais e de saúde
Escrito por Lina e Stanislava, fundadoras da MyDailyPocket. Isto serve para ser útil, não substitui o médico. Nenhum suplemento substitui uma alimentação variada e equilibrada. Fique dentro da dose indicada na embalagem.