Uma de nós dá magnésio ao filho de dez anos quando lhe doem as pernas depois do futebol. A parte honesta é que, de uma semana para a outra, nunca se sabe bem se fez alguma coisa.
O essencial
- A resposta mais honesta é que a maioria das pessoas não sente nada, e isso não significa que não esteja a funcionar.
- As vitaminas hidrossolúveis, como as do complexo B e a vitamina C, entram e saem do corpo em horas ou dias.
- A vitamina D é lenta. Os níveis no sangue levam semanas a meses a estabilizar.
- Se sentir uma diferença dramática no primeiro dia, quase de certeza não foi o multivitamínico.
Um suplemento não é um medicamento
É daqui que vem a confusão, por isso digamo-lo sem rodeios.
Um analgésico é desenhado para produzir uma sensação: toma-se, e trinta minutos depois há uma diferença que se nota. Um multivitamínico não faz isso. Preenche lacunas na alimentação. Preencher uma lacuna raramente produz uma sensação, sobretudo se a lacuna era pequena.
Uma pessoa que já come de forma variada pode tomar um multivitamínico durante um ano e não notar absolutamente nada. Isso não é um produto que falhou. É um produto que tinha pouco para fazer.
Prazos, pelo que se sabe
Horas a dias. As vitaminas do complexo B e a vitamina C são hidrossolúveis. O corpo absorve o que precisa e elimina o resto pela urina. Não se acumulam, e é por isso que se tomam todos os dias em vez de uma vez por semana.
Semanas. É neste prazo que uma rotina se instala, o que é uma mudança real ainda que não seja fisiológica. Tomar todos os dias durante três semanas é o que separa um suplemento de um frasco esquecido na despensa.
Semanas a meses. A vitamina D é lipossolúvel e armazena-se. Os níveis no sangue sobem devagar e podem demorar dois a três meses a estabilizar num valor novo. Se alguma coisa neste campo tem um prazo longo, é esta.
A coisa que vai mesmo notar, e não é o que espera
A urina fica amarela viva algumas horas depois de tomar.
É a riboflavina, a vitamina B2, que é intensamente amarela e é eliminada pela urina. É inofensivo, é imediato, e é a única alteração visível que a maioria das pessoas regista.
Isso conta por dois motivos. Primeiro, porque assusta quem não estava à espera. Segundo, porque é frequentemente mal interpretado como prova de que o produto "está a funcionar" ou, ao contrário, de que "está tudo a ser desperdiçado". Não é nem uma coisa nem outra. É só uma vitamina com cor forte a fazer o que sempre faz.
Ao fim de quanto tempo se deve concluir alguma coisa?
Três meses é um prazo razoável para parar e pensar. É tempo suficiente para a vitamina D estabilizar e para a rotina deixar de ser novidade.
E a pergunta a fazer nesse momento não é "sinto-me diferente?". É "porque é que comecei a tomar isto?". Se a resposta era cobrir uma alimentação irregular numa fase complicada, a ausência de sensação não diz nada sobre se resultou. Se a resposta era resolver um problema concreto, essa é uma conversa para ter com o médico, com uma análise, e não com um frasco.
A parte que não nos favorece
Se está à espera de sentir a diferença amanhã, este é o produto errado. Não fazemos nada que produza uma sensação rápida, e não conhecemos nenhum multivitamínico honesto que faça.
Mais do que isso: um suplemento que o faz sentir alguma coisa de imediato devia deixá-lo desconfiado, não satisfeito. Ou tem uma dose de estimulante, ou tem um ingrediente que não estava à espera, ou está a sentir a expectativa em vez do produto. Nenhuma dessas hipóteses é boa.
O rótulo indica os nutrientes e as quantidades declaradas por dose diária. Não permite saber se vai sentir alguma diferença ou quando.
Fontes
- EFSA, valores dietéticos de referência
- Regulamento (UE) n.º 1169/2011
- Literatura sobre farmacocinética de vitaminas hidrossolúveis e lipossolúveis
Escrito por Lina e Stanislava, fundadoras da MyDailyPocket. Isto está aqui para ser útil e não para substituir o pediatra ou o médico de família.