Lemos a Stasha Gominak. Neurologista nos Estados Unidos, a ver pessoas que dormiam mal, encontrava vitamina D baixa. Quando o valor no sangue subia, o sono muitas vezes vinha com ele. Anos depois, algumas dessas pessoas escorregavam outra vez, e ela olhou para as vitaminas B e para o intestino.
Esse quadro encaixa com muito do que já pensamos sobre vida em interior, luz de inverno, e um multinutriente diário. Concordar com ela não é o mesmo que ter autorização para o imprimir num alimento. Vendemos na UE. A regra aqui é mais estreita do que nos EUA, e é a regra sob a qual escrevemos.
O essencial
- O trabalho dela é observação de consultório, escrito para outros testarem. A anatomia por trás é real: há recetores de vitamina D em zonas do cérebro ligadas ao sono.
- Ensaios posteriores encontraram uma melhoria modesta num índice de qualidade de sono quando se dava vitamina D. Vai no mesmo sentido da clínica dela, não é uma cópia do protocolo.
- A lei da UE não autoriza uma alegação de sono sobre a vitamina D. O texto que podemos usar num alimento é ossos e sistema imunitário, citado assim.
- O alvo populacional europeu no sangue é 50 nmol/L (20 ng/ml). A faixa de consultório dela, 60 a 80 ng/ml, é outro trabalho, feito com análises, não com um saco.
O que ela reparou, e porque levamos a sério
A Gominak e o Walter Stumpf publicaram em 2012. Ela estava a ver dor de cabeça e sono na clínica. A vitamina D vinha baixa. O Stumpf já tinha mapeado recetores, inclusive em regiões do tronco cerebral que ajudam a mudar de fase de sono. Junte as duas coisas e tem motivo para se importar, não um slogan.
Quem vive em interior, nas nossas latitudes, faz pouca vitamina D durante metade do ano. Isso não é polémico. É por isso que a EFSA fixou uma ingestão adequada a assumir quase nenhum sol, e por isso a orientação nacional sobre vitamina D fala de estação. A Gominak olha para a mesma falha a partir de uma clínica de sono. Nós olhamos a partir de um pó de família. O inverno é o mesmo.
Estudos observacionais também encontram que pessoas com vitamina D mais baixa relatam mais vezes dormir mal. Parte disso será circular: quem dorme mal sai menos. Isso não torna as notas dela menos úteis. Quer dizer que uma análise continua a ganhar a um palpite.
O que podemos imprimir, que é o limite de verdade
Um suplemento alimentar na UE só pode trazer alegações de saúde do registo da União, no texto autorizado, com as menções que as acompanham.
A vitamina D contribui para a manutenção de ossos normais. Contribui para o normal funcionamento do sistema imunitário. Essas frases estão-nos disponíveis porque o nutriente está no saco acima de 15% do VRN.
O sono não está no registo para a vitamina D. A melatonina tem um texto estreito sobre o sono. Não vendemos melatonina. Por isso não vamos escrever que o nosso pó melhora o sono, mesmo que pensemos que a Gominak está a apontar para alguma coisa real. Isso é o Regulamento 1924/2006, não um desdém científico.
Uma revisão de 2022 na Nutrients juntou ensaios de vitamina D e sono. Um conjunto pequeno de estudos aleatorizados mostrou uma subida modesta num questionário de qualidade de sono. Os efeitos sobre quanto tempo as pessoas dormiam não apontavam todos para o mesmo lado. Isso serve de contexto. Continua a não ser uma alegação que possamos colar ao saco.
Duas réguas, não uma briga
A escrita de clínica americana usa ng/ml. Os laboratórios europeus usam muitas vezes nmol/L. Multiplique ng/ml por 2,5.
A faixa dela, 60 a 80 ng/ml, são cerca de 150 a 200 nmol/L.
A EFSA, ao fixar o que uma população saudável é aconselhada a tomar, usou 50 nmol/L como alvo do marcador, e daí tirou 15 µg por dia de comida e suplementos quando há pouco sol. 50 nmol/L são 20 ng/ml.
São ferramentas diferentes. Uma é uma faixa de consultório, com análises repetidas, para pessoas que ela já via. A outra é uma figura de população usada para escrever uma ingestão diária. Não vamos fingir que são o mesmo número, e não vamos fingir que o mais baixo "desmente" a clínica dela.
Perseguir 60 ng/ml a partir da cozinha continua a ser conversa de médico. Doses que levam alguns adultos lá podem aproximar-se do máximo de adulto na UE, 100 µg por dia. Uma marca de alimentos não escreve esse protocolo. Um médico e um resultado escrevem.
Para que é o saco
O Pocket Kids leva 25 µg de vitamina D por dia. O Teens e o Adults levam 35 µg. Fica acima dos 15 µg da EFSA. É um alimento diário, ao lado da K2, numa dose que podemos pôr no rótulo e testar contra o lote. Não é um ajuste a uma faixa de clínica americana, e não o vamos vender como se fosse.
Se está a trabalhar com um clínico sobre valores no sangue, diga-lhe, e leve a semana de comida e os outros frascos.
Se dormir mal já dura, isso continua a ser médico primeiro. Nada do que nos é permitido imprimir substitui isso.
Fontes
- Gominak SC, Stumpf WE. Medical Hypotheses, 2012
- Abboud M. Vitamin D supplementation and sleep. Nutrients, 2022
- EFSA, valores de referência para a vitamina D, 2016
- DGS
- Registo da UE de alegações nutricionais e de saúde
Escrito por Lina e Stanislava, fundadoras da MyDailyPocket. Isto serve para ser útil, não substitui o médico. Nenhum suplemento substitui uma alimentação variada e equilibrada. Fique dentro da dose indicada na embalagem.